O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (26) que o Tesouro Nacional vai intervir no mercado de títulos públicos, com a compra de papéis, para tentar levar o mercado de volta à normalidade. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, depois da forte alta do dólar e da queda da Bolsa na reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25).
Durigan disse que já conversou com Lula sobre o assunto e que mantém contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para coordenar a atuação com a autoridade monetária.
“Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. (…) O Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez”, afirmou. Segundo o ministro, o preço seguirá em patamar mais alto, mas o objetivo é a “normalidade” do mercado.
Coordenação com o Banco Central
O ministro afirmou que o Banco Central avalia, junto com o governo, uma atuação no câmbio. A intenção, segundo ele, é evitar que uma intervenção nos juros e nos títulos do Tesouro pese de forma desproporcional sobre o dólar. “Nós estamos fazendo isso de maneira coordenada”, disse.
Compromissos fiscais
Durigan afirmou que o governo vai buscar estabilidade e trabalhar a política fiscal com foco no centro da meta de resultado primário. Também citou a revisão de despesas obrigatórias e a não prorrogação de parte das medidas parafiscais adotadas ao longo do ano.
“Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, inclusive dívida, juros, câmbio a médio e longo prazo. Nós vamos aumentar o tamanho do superávit primário”, declarou. Ele acrescentou que o governo pretende estabilizar a dívida pública e, “na medida da autonomia do Banco Central”, permitir a redução da taxa de juros.
O ministro disse ainda que tem conversado com agentes do mercado e que é importante que não “haja chantagem de um lado e nem retaliação de outro”.
Como o mercado reagiu
Segundo O Globo, os mercados financeiros reagiram nesta segunda à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno:
- Abertura: o dólar comercial abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42. As negociações foram interrompidas.
- Antes das 10h: na reabertura, a moeda chegou a R$ 5,60, alta de 12,2%. Houve nova interrupção, e o dólar voltou a ser negociado na máxima de R$ 5,60, com novas suspensões.
- Antes das 11h: os negócios foram reabertos com alta de 10,78%, a R$ 5,53.
No auge, a alta de 12% superou a variação intradiária do dólar em 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil passou a adotar o câmbio flutuante e a moeda subiu 11,10%.
Na Bolsa de Valores de São Paulo, as negociações também foram interrompidas depois que o Ibovespa, principal índice, caiu mais de 10%. Com a retomada, a queda chegou a 17%.
A disparada do dólar e a queda da Bolsa acionaram o circuit breaker, mecanismo que paralisa as negociações em momentos de variações muito bruscas, para dar tempo aos investidores de rever seus planejamentos.
FONTEE : O Globo.





